A Casa de Caridade

A Casa de Caridade

A Casa de Caridade de Pocinhos, foi construída em 1866, pelo Padre Ibiapina, que nessa época ao passar pelo povoado quando ia para Alagoa Nova, se comoveu ao ver a situação precária em que se achava o povo, achando por bem fundar uma Casa de Caridade para abrigar os órfãos das redondezas.

Nesse tempo Pocinhos tentava se recupera de uma terrível epidemia de cólera, além de se localizar em zona endêmica da febre amarela, que dizimou quase a metade de seus habitantes, deixando muitas crianças órfãs.

A Caridade de Pocinhos era um orfanato feminino, como quase todos os fundados por Ibiapina. Os meninos órfãos, por seu valor como força de trabalho, sempre achavam quem os criasse ou os quisesse como agregados, as meninas não tinham tal sorte. Naquele tempo, de nada valiam a honestidade, a juventude ou a virgindade se à moça faltasse um dote. Sem este não havia como uma jovem arranjar casamento, exceto em casos raros. As Casas de Caridade eram uma salvação, pois além de sustentar a órfã durante a infância e a adolescência, a Caridade lhe oferecia um dote quando estivesse em idade de casar, também a instituição dava uma educação às internas invejáveis para a época, elas aprendiam, além dos trabalhos domésticos e manuais, a ler e escrever. Ser recolhida pela Casa de Caridade era ter o futuro garantido.

Em 1873, a Casa de Caridade de Pocinhos foi apontada no relatório do Presidente Teixeira de Sá, como o maior estabelecimento de ensino do interior da Paraíba, com 55 alunas, e o segundo da província, perdendo apenas para o Liceu Paraibano em números de estudantes.

Durante a grande seca de 1877, conhecida também como a “setenta e sete tirana”, metade das órfãs da casa de caridade morreram após comer carnes podres, como descreve o jornal Estado da Parahyba:

A casa de caridade da povoação de Pocinhos, instituida pelo padre Ibiapina, tinha então mais de 70 órfãs, e extinto o seu patrimônio, que era uma fazenda de criação, veio a sofrer tanta fome, que as miseravéis órfãs, a exemplo de outros famintos, por alguns dias sustentaram-se com a carne putrefata das rezes que morriam fracas pelas estradas. O resultado não se fez esperar, a peste desenvolveu-se logo com maior fúria, reduzindo o pessoal do pio estabelecimento a menos da metade, e ceifando numerosas outras vidas da população da localidade.

Passada a crise, Padre Ibiapina visita a Caridade de Pocinhos tentando ver o que poderia ser salvo. Em outros tempos teria conseguido reerguer a casa, porém, já velho e quase impedido de viajar, só consegue tomar medidas paliativas.

Na edição do dia 10 de maio de 1889, Joffily descreve detalhadamente, em seu jornal “Gazeta do Sertão”, uma visita que fez a Casa de Caridade e a nova Igreja de Pocinhos que nesta época estava sendo reconstruída.

Em 2 de fevereiro de 1947, Padre Galvão inaugurou o Instituto Nossa Senhora da Conceição, sediado no prédio da Casa de Caridade.

Nesse tempo a Caridade foi reformada pela paróquia, tendo as paredes elevada, feito novo piso, pintada e ganhado vasos sanitários e água canalizada.

O Instituto Nossa Senhora da Conceição foi uma das mais conceituada instituição de ensino médio de sua época, mantido pela paróquia, com quatro salas de aulas funcionando em suas dependências.

Casa de Caridade - Foto: 1937 - Arquivo Pessoal de Iris Diana França de Oliveira
Casa de Caridade 1942 - Fonte: MARIZ, Celso. Ibiapina, um apóstolo do Nordeste. João Pessoa: União, 1942. p.74a.
De frente a entrada da Casa de Caridade na décda de 1950
Casa de Caridade na década de 1970 - Foto: Acervo pessoal de Edmilson do Ó.
Casa de Caridade na década de 1950 - Foto: Acervo pessoal de Dona Dulce.
Alunos do Instituto Nossa Senhora da Conceição que nessa época funcionava na Casa de Caridade - Foto: Acervo pessoal de Adriana Souto.
Jardim de Infancia do Instituto Nossa Senhora da Conceição que nessa época funcionava na Casa de Caridade - Foto: Acervo pessoal de Adriana Souto.
Imagens Internas da antiga capela da Casa de Caridade - Foto: Acervo pessoal de Adriana Souto.
Imagens Internas da antiga capela da Casa de Caridade - Foto: Acervo pessoal de Adriana Souto.
Imagens Internas da antiga capela da Casa de Caridade - Foto: Acervo pessoal de Adriana Souto.
Padre Ibiapina

Padre José Antônio de Maria Ibiapina, nasceu no dia 5 de agosto de 1806, em Sobral, Ceará. Foi professor, advogado, delegado de polícia e juiz de direito, chegando a se eleger deputado federal pelo Ceará.

Aos 47 anos, abandonou a vida civil e tornou-se padre, decidindo peregrinar pelos sertões do Nordeste brasileiro, evangelizando e promovendo obras de ação social e educação.

Em Pocinhos, construiu o 1º Cemitério Público, reformou a antiga capela da cidade (hoje igreja matriz) e, em 1866, ergueu a Casa de Caridade, que durante muitos anos socorreu os mais necessitados, especialmente as órfãs carentes.

Padre Ibiapina faleceu no dia 19 de fevereiro de 1883 na Casa de Caridade Santa Sé, no município de Solânea (PB).

Fonte:

O Estado da Parahyba: Periódico Político, Social e Noticioso – Orgão Republicano, 27 nov. 1891, p. 1.

RIBEIRO, Roberto da Silva. Pocinhos: O Local e o Geral. 2ª Edição. Campina Grande: RG Editora, 2013, pp. 58-59.

ARAÚJO, Carlos Eduardo Apolínário. Retalhos Históricos de Pocinhos: Histórias que transcendem o tempo. Pocinhos-PB: I9 Comunicação, 2020, pp. 60-61.