As rotas comerciais que passavam por Pocinhos

As rotas comerciais que passavam por Pocinhos

Em 1810, Pocinhos já era uma rota comercial bastante conhecida, graças a sua posição estratégica, e a água dos três pocinhos, que fazia com que os vaqueiros conduzissem os seus rebanhos para este lugar, e os tropeiros do nosso sertão e do Rio Grande do Norte fizessem em Pocinhos ponto de parada para descanso, quando seguiam para o brejo paraibano, Campina Grande ou para as cidades litorâneas.

No início, o descanso era feito em acampamentos improvisados, montados com os próprios instrumentos de viagem: canastra, pelegos, etc. Mais tarde, começaram a construir ranchos, muito rudimentares, mas que apresentavam um pouco mais de conforto nas noites de chuva ou muito frio.

Por fim, foram construídas as primeiras hospedarias e casas de secos e molhados, transformando o lugarejo numa verdadeira para a beira da estrada.

Geralmente as paradas levavam de 12 a 14h, tempo suficiente para fazer um bom descanso. De madrugada, antes de nascer o sol já estavam em pé, carregando os animais, para continuar a marcha.

Vale ressaltar que as rotas comerciais desse tempo eram diferentes das atuais. As estradas hoje conhecidas como BR 230 e Estrada da Batatinha ou PB 121, só foram criadas um século depois.

Gravura representativa das rotas comerciais que passavam por Pocinhos. Constante no Museu Virtual de Pocinhos
Confira abaixo como eram as principais rotas comerciais que passavam por Pocinhos no início do século XIX, segundo o historiador Roberto Ribeiro

Para chegar à Vila Nova da Rainha, vindo do sertão, haviam três possibilidades:

1 – A primeira saía de São João do Cariri ao povoado de Cabaceiras, daí a Boqueirão, chegando-se pelo sul à Vila Nova.

2 – O segundo caminho, mais usado, saía de São João do Cariri, chegando a Boa Vista e daí para a atual Campina Grande.

3 – Por fim, podia-se sair de São João do Cariri, passar por Gurjão, daí a Soledade até Pocinhos, chegando à Vila da Rainha após passar pela Fazenda Puxinanã.

Vindo do interior potiguar, a rota mais curta era a chamada Estrada do Seridó:

4 – Entrava por Pedra Lavrada, seguia para a Fazenda Cubati, daí para o arruado de São Francisco (Olivedos), atravessava Pocinhos, chegando a Campina.

Ao sair da sede da Vila Nova para o Brejo, o único caminho comercial viável era:

5. Sair da vila por Jenipapo, passar por Puxinanã, chegar a Pocinhos doze horas depois, seguir pelo Sítio Campos do Oriá até o rancho Barnabuié (Esperança) e daí viajar até Alagoa Nova ou Areia, núcleos urbanos importantes. Tal rota foi, por mais de um século, a principal estrada de comércio entre o brejo e Campina Grande.

Mapa da Paraíba, representando as principais rotas comerciais que passavam por Pocinhos no início do século XIX. Constante no Museu Virtual de Pocinhos

Fonte:

RIBEIRO, Roberto da Silva. Pocinhos: O Local e o Geral. 2ª Edição. Campina Grande: RG Editora, 2013, p. 36.

ARAÚJO, Carlos Eduardo Apolínário. Retalhos Históricos de Pocinhos: Histórias que transcendem o tempo. Pocinhos-PB: I9 Comunicação, 2020, pp. 54-55.