Descoberta dos poços e Requisição das terras de Pocinhos

Descoberta dos poços e Requisição das terras de Pocinhos

Por volta de 1750, muitos proprietários pernambucanos vieram para a Paraíba em busca de terras devolutas. Um destes colonos a vir de Pernambuco foi o tenente Dionísio Gomes Pereira, que adquiriu os sítios Camucá, São Tomé e Gravatá, a quatro léguas de Campina Grande. Além de ter as terras agrícolas citadas, tornou-se proprietário de metade do sítio Campos do Oriá, onde criava gado.

Em 1762, ao levar o gado para pastar além dos limites do sítio Campos do Oriá, os vaqueiros de Dionísio Gomes acham um poço a que chamam “Olho d’água do Bravo”, onde hoje se localiza o açude municipal de Pocinhos, no centro da cidade, ao lado da cadeia municipal.

A descoberta deste manancial em paragens tão secas, assinalou Irineu Joffily, foi um achado, pois permitiria a passagem do gado entre o Sertão e o Brejo sem ter de atravessar as terras dos Oliveira, em Santa Rosa (Boa Vista) ou Cabaceiras.

Gravura representativa do gado bebendo água nos pequenos poços descobertos em Pocinhos em 1762. Constante no Museu Virtual de Pocinhos

Requisição das terras de Pocinhos

Em 1764, dois anos depois da descoberta dos poços, Dionísio morreu, deixando seus bens à sua esposa, Bárbara Maria da Pobreza, então com 34 anos. Logo depois da morte do marido, ela requisitou concessão da sesmaria do Olho d’Água do Bravo. Diz o documento:

Bárbara Maria da Pobreza, viúva que ficou do tenente Dionísio Gomes Pereira, sendo senhora do sítio digo da metade do sítio Oriá do Sertão do Cariry, desta capitania, nas testadas do qual há um olho d’água chamado Brabo, que a suplicante povoou há três annos para melhor beneficiar seus gados, e porque se receie que o dito olho d’água não esteja incluso na terra, que possui e assim nas sobras, nas quaes ha bastante terras devolutas e desaproveitadas e se receia que alguém as peça com conhecimento damno e prejuiso seo, vem por isto requerer trez legoas de terras, pegando do dito olho d’água e caminhando para o poente, fazendo do comprimento largura e da largura comprimento como melhor conta lhe fizer, contestando da parte do sul e sertão do Cariry com os sitios de Campinotes, Antas, Buraco e Santa Rosa. e pelo norte Curimataú com os sitios de Algodão, Caroeira e Catolé e mais providos d’aquelle sertão, cuja terra se lhe pode dar por se achar devoluta (...).
Synopsis das Sesmarias da Parahyba, p. 175 e Gazeta do Sertão de 7 / 12 / 1888.

Em abril de 1765, depois de ouvidos o Procurador da Coroa, Câmara e Provedor, o Governador da Capitania da Paraíba, Jerônimo José Mello Castro, concedeu as terras de Pocinhos a requerente.