
Carta de requisição das Sesmarias do Olho d'Água do Bravo
A historia conta que 1762, vaqueiros do tenente Dionísio Gomes Pereira, próprietário do sítio Campos do Oriá (que nesta época abrangia Areial, montadas e grande parte de Esperança), acharam um poço a que chamaram de Olho d’água do Bravo, onde hoje se localiza o açude municipal de Pocinhos.
Dois anos depois, Dionísio morreu deixando seus bens a sua viúva, Bárbara Maria da Pobreza.
Pouco tempo depois da morte do marido, ela requisita em 23 de setembro de 1765, concessão da sesmaria do Olho d’Água do Bravo.
Descrição do documento
CAMPINA GRANDE
POCINHOS
Governador Jeronimo José Mello Castro
Bárbara Maria da Pobreza, viúva que ficou do tenente Dionísio Gomes Pereira, sendo senhora do sítio digo da metade do sítio Oriá do Sertão do Cariry, desta capitania, nas testadas do qual há um olho d’água chamado Brabo, que a suplicante povoou há três annos para melhor beneficiar seus gados, e porque se receie que o dito olho d’água não esteja incluso na terra, que possui e assim nas sobras, nas quaes ha bastante terras devolutas e desaproveitadas e se receia que alguém as peça com conhecimento damno e prejuiso seo, vem por isto requerer trez legoas de terras, pegando do dito olho d’água e caminhando para o poente, fazendo do comprimento largura e da largura comprimento como melhor conta lhe fizer, contestando da parte do sul e sertão do Cariry com os sitios de Campinotes, Antas, Buraco e Santa Rosa. e pelo norte Curimataú com os sitios de Algodão, Caroeira e Catolé e mais providos d’aquelle sertão, cuja terra se lhe pode dar por se achar devoluta.
Depois de ouvidos o Procurador da Coroa, Câmara e Provedor foi feita a oncessão aos 23 de abril de 1765
Sobre as Sesmarias
Sesmaria era um lote de terras distribuído a um beneficiário, em nome do rei de Portugal, com o objetivo de cultivar terras virgens.
As sesmarias doadas variavam de tamanho, dependendo do período e da região em que foram doadas. Para o caso dos sertões interioranos das Capitanias do norte, o tamanho padrão, nem sempre respeitado, era de três léguas de comprimento por uma légua de largura.
Os pedidos, em geral, estavam estruturados da seguinte maneira: primeiro o requerimento com a apresentação dos solicitantes – nome, procedência e “qualificação” do requerente; a área solicitada e as justificativas para a solicitação da sesmaria.
A segunda parte da solicitação trazia o pedido do capitão-mor governador ou outra autoridade responsável pela doação para que o escrivão averiguasse se não teria sesmaria doada na área solicitada. A etapa seguinte era resposta do escrivão relatando a possiblidade da doação.
A quarta parte era constituída pelo despacho do capitão-mor governador ou outra autoridade deferindo o pedido.
A última parte da solicitação era constituída da data de sesmaria com a repetição das informações já apresentadas nas etapas anteriores, acrescida dos deveres-exigências que os sesmeiros teriam que cumprir.